
Um filme médio, segundo algumas opiniões, referido apenas pelo desempenho extraordinário do actor principal. O Discurso do Rei, devo concordar, não pode ser posto a par de clássicos sobre a personalidade Humana que fizeram escolas, que foram imitados, refeitos, analisados até à exaustão por especialistas e críticos. É demasiado discreto, tão discreto como a sua personagem principal George VI de Inglaterra cujo valor era ensombrado por um exterior tímido. O filme também é tímido. E essa timidez faz com que pareça superficial ou pouco abrangente historicamente. Não é verdade. É preciso dedicar-lhe uma atenção minuciosa, atender a todas as pistas subtis que deixa à passagem de cada cena.
O argumento é simples, como o são os das grandes obras. George V de Inglaterra antevê a proximidade da morte, e põe a questão da sucessão. O seu filho mais velho Edward, que viria a ser Edward VIII mantém uma relação com Wallis Simpson, uma americana casada e de hábitos românticos duvidosos. George V deposita a confiança no seu segundo filho, Albert, cuja gaguez o impede de discursar publicamente. Elizabeth, esposa de Albert (mais tarde a tão adorada rainha mãe) procura a ajuda de um terapeuta da fala autraliano com métodos inovadores que vão desde exercícios físicos até à análise dos traumas psicológicos causadores da gaguez. Dois gigantes do cinema fazem o seu diálogo com actuações notáveis: Colin Firth como Albert e Geoffrey Rush como terapeuta. Colin Firth reproduz a alteração da respiração e do curso do discurso que a gaguez provoca com uma mestria sem precedentes. Todo o seu comportamento físico é estudado e intencional, desde a inicial arrogância para com o terapeuta que dá lugar a uma humildade perante a competência, a tensão constante de um corpo que foi contrariado toda a vida e que só se liberta nas explosões de raiva, até essas discretas – mérito do realizador. Geoffrey Rush brilha como um terapeuta dividido entre a reverência que tem para com um membro da família real e a confiança nos prórpios dotes. Ambos os actores se preocuparam em realçar o trabalho mútuo conferindo uma dinâmica coesa a cada cena. Nada no filme é exagerado ou caricatural. Todos os pormenores são cuidados, desde a caracterização e escolha dos actores de acordo com a parecença física com as personagens que interpretam, até à luz melancólica e chuvosa, ainda que acolhedora, da Inglaterra. As referências breves ao filme My Fair Lady, a propósito da terapia da fala, são simpáticas.
Com a morte de Goerge V e a abdicação de Edward VIII, Albert é aclamado rei, adoptando o título de Geroge VI. O dia que Albert teme chega com a Inglaterra a entrar na II Guerra Mundial. É necessário que o rei faça um discurso à nação. Aqui é gerada uma polémica resultante da decisão do realizador de acentuar a angústia da família real perante a possibilidade da gaguez do rei, em detrimento da verdadeira crise do momento – a guerra. Não existe, na minha opinião, incoerência, parcialidade ou desequilíbrio nessa decisão. Não só porque criar uma história é lançar um olhar parcial sobre um acontecimento, mas também porque a gaguez do rei, no momento em que afirmava a sua posição perante o povo e perante o inimigo, poderia pôr em causa a força da Inglaterra, exibindo um monarca incapaz. Conduzido pelo terapeuta da fala, que o dirige como a uma orquestra dando-lhe o tom, o ritmo, as entradas, as pausas, o rei discursa. Como banda sonora da cena, o segundo andamento da sétima sinfonia de Beethoven, uma peça que demora exactamente nove minutos, como o discurso do rei. Mais à frente, um trecho do concerto do Imperador, no momento em que George VI recebe a aclamação do país. Por quê Beethoven? Por que razão todas as peças de música clássica usadas no filme são de compositores alemães, ou austríacos? Um fair play do realizador inglês Tom Hooper. Mais do que isso, a expressão do filme é justamente um dueto entre a história de um rei inglês e a música de compositores alemães. Uma mensagem sobre a grandeza humana universal que emerge acima das guerras, das questões temporais.
http://www.youtube.com/watch?v=PPLIw64rLJc
O argumento é simples, como o são os das grandes obras. George V de Inglaterra antevê a proximidade da morte, e põe a questão da sucessão. O seu filho mais velho Edward, que viria a ser Edward VIII mantém uma relação com Wallis Simpson, uma americana casada e de hábitos românticos duvidosos. George V deposita a confiança no seu segundo filho, Albert, cuja gaguez o impede de discursar publicamente. Elizabeth, esposa de Albert (mais tarde a tão adorada rainha mãe) procura a ajuda de um terapeuta da fala autraliano com métodos inovadores que vão desde exercícios físicos até à análise dos traumas psicológicos causadores da gaguez. Dois gigantes do cinema fazem o seu diálogo com actuações notáveis: Colin Firth como Albert e Geoffrey Rush como terapeuta. Colin Firth reproduz a alteração da respiração e do curso do discurso que a gaguez provoca com uma mestria sem precedentes. Todo o seu comportamento físico é estudado e intencional, desde a inicial arrogância para com o terapeuta que dá lugar a uma humildade perante a competência, a tensão constante de um corpo que foi contrariado toda a vida e que só se liberta nas explosões de raiva, até essas discretas – mérito do realizador. Geoffrey Rush brilha como um terapeuta dividido entre a reverência que tem para com um membro da família real e a confiança nos prórpios dotes. Ambos os actores se preocuparam em realçar o trabalho mútuo conferindo uma dinâmica coesa a cada cena. Nada no filme é exagerado ou caricatural. Todos os pormenores são cuidados, desde a caracterização e escolha dos actores de acordo com a parecença física com as personagens que interpretam, até à luz melancólica e chuvosa, ainda que acolhedora, da Inglaterra. As referências breves ao filme My Fair Lady, a propósito da terapia da fala, são simpáticas.
Com a morte de Goerge V e a abdicação de Edward VIII, Albert é aclamado rei, adoptando o título de Geroge VI. O dia que Albert teme chega com a Inglaterra a entrar na II Guerra Mundial. É necessário que o rei faça um discurso à nação. Aqui é gerada uma polémica resultante da decisão do realizador de acentuar a angústia da família real perante a possibilidade da gaguez do rei, em detrimento da verdadeira crise do momento – a guerra. Não existe, na minha opinião, incoerência, parcialidade ou desequilíbrio nessa decisão. Não só porque criar uma história é lançar um olhar parcial sobre um acontecimento, mas também porque a gaguez do rei, no momento em que afirmava a sua posição perante o povo e perante o inimigo, poderia pôr em causa a força da Inglaterra, exibindo um monarca incapaz. Conduzido pelo terapeuta da fala, que o dirige como a uma orquestra dando-lhe o tom, o ritmo, as entradas, as pausas, o rei discursa. Como banda sonora da cena, o segundo andamento da sétima sinfonia de Beethoven, uma peça que demora exactamente nove minutos, como o discurso do rei. Mais à frente, um trecho do concerto do Imperador, no momento em que George VI recebe a aclamação do país. Por quê Beethoven? Por que razão todas as peças de música clássica usadas no filme são de compositores alemães, ou austríacos? Um fair play do realizador inglês Tom Hooper. Mais do que isso, a expressão do filme é justamente um dueto entre a história de um rei inglês e a música de compositores alemães. Uma mensagem sobre a grandeza humana universal que emerge acima das guerras, das questões temporais.
http://www.youtube.com/watch?v=PPLIw64rLJc
Ficha Técnica
Realização: Tom Hooper
Argumento: David Seidler
Elenco: Colin Firth (King George VI), Geoffrey Rush (Lionel Logue), Helen Bonham Carter (Queen Elizabeth), Guy Pearce (King Edward VIII), Eve Best (Wallis Simpson), Michael Gambon (King George V)…
Realização: Tom Hooper
Argumento: David Seidler
Elenco: Colin Firth (King George VI), Geoffrey Rush (Lionel Logue), Helen Bonham Carter (Queen Elizabeth), Guy Pearce (King Edward VIII), Eve Best (Wallis Simpson), Michael Gambon (King George V)…





